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Essência: entre o que somos e o que não somos

Por: Pedro Victor - 08/11/2014
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Desde a Antiguidade Clássica, os homens ocuparam-se de buscar a essência, aquilo que faz de algo o que ele é, das coisas. Sócrates, filósofo grego que nasceu por volta de 470 a.C. , não absteve deste tema, ocupando-se especificamente da essência do ser. Enquanto homens, buscamos compreender a nossa essência individual, o que nos singular em mundo com sete bilhões de pessoas, tornando a pergunta “Quem eu sou?” uma das mais recorrentes na mente humana.
 
A globalização alterou a perspectiva temporal humana. Com isto, o homem tornou-se um ser imediatista, que quer resposta, ainda que internas e pessoais, em uma velocidade análoga à Internet. Além disso, devido à essa alienação temporal, o homem deixou de executar integralmente uma tarefa. Parafraseando um colega, este fato é resumido em comer enquanto trabalhar, trabalhar enquanto dormimos e sobrevivemos enquanto deveríamos viver. Desta forma, o homem não faz exercício de sua capacidade racional e não embarca em uma busca interna por sua essência, sendo que, em alguns casos, os indivíduos tornam-se outras pessoas, desvinculando-se da própria essência, e tornando-se o que os outros querem.
 
Outro efeito da vida humana em sociedade é objetividade levada ao extremo. Uma vez que o homem consegue eliminar grande parte de suas dúvidas com cerca de cinco cliques, a mentalidade humana torna-se demasiadamente excludente, segregando tudo aquilo que não parece uma verdade absoluta. Tal visão restritiva rompe com um princípio fundamental para se entender a essência do ser, a dialética. Para Heráclito, de Éfeso, “ Nos mesmos rios entramos e não entramos, somos e não somos”, isto é, o homem está sempre mudando, não sendo algo absoluto ou tendo uma essência fixa.
 
Tal visão é uma alternativa para se responder a indagação sobre quem somos. Ao partir da perspectiva em que não há um indivíduo de constituição absoluta, podemos entender que os homens constroem-se e desconstroem-se a todos instantes. Apesar de o princípio dialético ser fundamental para a compreensão do ser, ele ainda possui determinadas falhas. De fato as pessoas mudam, mas elas mantêm determinadas características singulares. Tomando objetos como exemplos, é muito difícil confundir uma cadeira e um avião, pois ambos possuem características que fazem deles o que são. Dentro do grupo dos objetos, verificamos que as especificidades dos objetos, como suas marcas e modelos, são análogas às diferenças dos seres, revelando a necessidade de complementação da teoria de Heráclito. 
 
Para complementarmos a busca pela essência do ser, vamos olhar na teoria de Parmênides. Para este filósofo havia um abismo, intransponível, entre o ser e o não-ser. Partindo deste princípio, verificamos uma maneira extremamente eficaz para que o indivíduo encontre sua essência. Ao invés de buscar o que somos, devemos buscar o que não somos, algo que descobriremos lentamente ao longo da vida. Este processo lento e gradativo fará com que o ser consiga excluir aquilo que ele não acredite constituí-lo. No entanto, para que este processo seja realmente efetivo, as pessoas que optarem por esse caminho devem libertar-se de suas ilusões e sonhos; buscando uma visão, ainda que subjetiva, mais imparcial. Isto é necessário, pois os homens podem se equivocarem, e ao invés de buscarem uma essência, caem em um mundo de ilusões.
 
Desta forma, percebe-se que é fundamental para o homem encontrar-se, estando sempre atendo para que não siga caminhos ilusórios e fantasiosos. Para isto, os indivíduos devem sempre estabelecer conexões e reflexões profundas consigo mesmos, buscando encontrar aquilo que torna-os singulares, juntamente com a estipulação daquilo que não são. Aludindo ao mestre Shakespeare, temos: ser e não-ser eis a questão.
 
 
 
Referências: Conversas com o Sr. Felipe; conversas com o Sr. Adriano; aulas de filosofia.
 
 
 
 
 
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